3 análises laboratoriais imprescindíveis em matérias-primas e produtos acabados (você precisa conhecer a # 3)

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É sabido que todas as empresas produtoras e processadoras de alimentos sejam produtores de grãos, indústrias de alimentos para humanos e também as voltadas para o mercado de alimentação animal, precisam seguir normativas quanto a aspectos físicos, químicos e microbiológicos de seus produtos. Essas legislações estabelecem limites mínimos e de tolerância para diversos parâmetros, que devem ser seguidos pelos produtores, e para isso se torna fundamental a realização de análises laboratoriais para saberem se sua produção está condizente com tais parâmetros.

Aliadas ao controle dos índices de qualidade, são as análises laboratoriais. E para quem acreditava que bastavam as análises de carga microbiana na carcaça ou de aflatoxina em grãos, é bom acrescentar que para evitar problemas em auditorias e fiscalizações realizadas pelos órgãos de controle, a empresa manipuladora de alimentos deve estar atenta a matéria-prima utilizada, às etapas de processo, às boas práticas de fabricação e ao rótulo de seus produtos.

 

Aos rótulos? Sim! Aos rótulos. As análises mais conhecidas para elaboração correta dos rótulos de embalagens finais são as análises bromatológicas. Essas análises tem como principal objetivo avaliar e descrever a composição química dos alimentos, ou seja, a determinação das frações essenciais de nutrição: água, proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais. Essas frações vem descritas no rótulo dos alimentos em caráter compulsório.

 

Outra informação de caráter compulsório nos rótulos de quaisquer alimentos embalados é a declaração de transgênico. Sim. A obrigatoriedade de transcrever no rótulo a utilização de material transgênico em produtos alimentícios destinados a homens e animais é para todos os alimentos embalados! E muitas vezes essa legislação passa desapercebida pelas equipes de qualidade de indústrias de alimentos que ficam sujeitas a fiscalização e penalidades.

As análises de detecção de transgênicos em alimentos podem ser realizadas de diferentes maneiras e deve ser selecionada de acordo com o escopo e necessidades da indústria.

 

O objetivo deste artigo é apresentar a você quais as técnicas mais utilizadas, para a detecção de OGMs (organismos geneticamente modificados), quais suas vantagens e desvantagens e em quais cenários são aplicadas.

 

Isto porque, o desenvolvimento e a aplicação de OGMs para diferentes fins têm crescido vertiginosamente em todos os locais do globo. No entanto, a utilização de OGMs na alimentação humana ainda divide opiniões. Por isto, leis protecionistas da opinião do consumidor foram estabelecidas em todo o mundo, prevendo a obrigatoriedade da rotulagem de alimentos formulados a partir de ingredientes transgênicos.

 

Sejam nas matérias primas ou em produtos acabados, produtores de grãos e empresas processadoras de alimentos para humanos e animais utilizam diferentes técnicas laboratoriais para a detecção e quantificação de OGMs, que são normalmente caracterizados pela presença de segmentos de DNA exógenos ao organismo receptor, que podem ou não codificar a expressão de novas proteínas. Por isso, a detecção dos OGMs é baseada na determinação da presença de determinadas sequências de DNA exógeno ou indiretamente pela presença da proteína transgênica.

 

Índice de conteúdo

  1. Detecção de OGMs #1 – Teste de tiras
  2. Detecção de OGMs #2 – Elisa
  3. Detecção de OGMs #3 – PCR
  4. Recapitulando e considerando as formas de detecção de OGMs

 

Testes baseados na detecção de proteínas

Tratam-se de métodos de detecção (que podem ser qualitativo e/ou quantitativos) e indiretos já que é realizada a busca da proteína produzida pelo gene exógeno (inicialmente ausente no organismo alvo da modificação genética) e não pelo gene em si. Veja os principais testes baseados na detecção de proteínas.

 

Detecção de OGMs #1 – Teste de tiras

O teste de tiras, assim mais popularmente conhecido, é um teste baseado em ensaios imunocromatográficos.

 

Para a realização do ensaio são utilizadas tiras imunocromatográfica onde anticorpos capazes de reconhecer a proteína transgênica permanecem afixados à tira. Esses anticorpos são complexados com reagentes de cor e, ao entrarem em contato com as proteínas especificas formam um novo complexo proteína-anticorpo-agente de cor que migra por capilaridade através da tira.

 

A tira possui duas zonas de captura, uma específica para a proteína alvo e a outra específica para o anticorpo de detecção. A presença de apenas uma linha na tira indica um resultado negativo, enquanto o aparecimento de duas linhas indica que a amostra é positiva.

 

O ensaio é rápido, sendo o resultado final expresso em 5 a 10 minutos. A sensibilidade é alta, podendo chegar a 0,5% ou, segundo alguns fabricantes a 0,1%.

 

São ensaios muito realizados a campo, onde não é possível a presença de equipamentos muito sofisticados. Não é necessária especialização técnica para a realização dos ensaios. No entanto apresenta algumas limitações. Uma delas está baseada no fato de que a concentração de proteína transgênica nos tecidos de plantas varia com a idade da idade planta, variedade cultivar e condições ambientais. Dessa forma, falsos negativos podem acontecer.

 

Também, este tipo de ensaio não é aplicável em modificações genéticas em que não há a formação de novas proteínas, ou quando não é possível produzir anticorpos específicos que reconheçam apenas a proteína transgênica gerada, devido a sua similaridade com a proteína nativa. Portanto, os testes de tiras não estão disponíveis para todos os eventos transgênicos.

 

Detecção de OGMs #2 – Elisa (imunoensaio)

Imunoensaios são testes rápidos e de custo relativamente baixo, realizados com o intuito de detectar-se e/ou quantificar-se a presença de proteínas específicas em misturas complexas. É necessária a utilização de equipamentos específicos para a realização dos testes.

 

O limite de detecção é de, normalmente, 1%, ou seja, composições cuja presença em transgênico seja inferior a este percentual, podem ter um falso negativo neste tipo de teste. Para algumas empresas este é um valor satisfatório de limite de detecção, quando, por exemplo, o objetivo da empresa é atender a alguma legislação. É o caso de empresas que trabalham com o limite de 1% de transgênicos em suas formulações, e o ingrediente OGM positivo entrará como matéria prima em baixo percentual final em alguma formulação.

 

A detecção dos OGMs por meio desta técnica é baseada na identificação de proteínas expressas pelo gene advindo da modificação genética em estudo. Portanto, assim como no teste de tiras, não é aplicável em modificações genéticas em que não há a formação de novas proteínas, ou quando não é possível produzir anticorpos específicos que reconheçam apenas a proteína transgênica gerada devido a sua similaridade com a proteína nativa.

 

Testes baseados em proteínas não são bem aplicados em produtos altamente processados. Isso ocorre pelo fato de que processos envolvendo altas temperaturas, exposição a determinados componentes químicos e até mesmo processos físicos, podem danificar ou mesmo destruir a estrutura proteica alvo dos imunoensaios.

 

Também não é muito eficiente quando na produção do alimento são utilizadas partes da planta cujo nível de expressão da proteína transgênica é muito baixo.

 

Detecção de OGMs #3 – PCR

A mais sensível e segura, mundialmente reconhecida, é a técnica de PCR (Reação em cadeia da DNA polimerase), que consiste em realizar in vitro o processo de replicação de DNA, mecanismo de cópia de DNA em todas as células vivas.

 

Com esta técnica, partes do segmento de DNA inserido no organismo receptor por meio de técnicas de engenharia genética, ou partes da construção genética estabelecida no transgênico, são replicadas de forma exponencial e, posteriormente sua presença (ou ausência) na amostra em análise é evidenciada por mecanismos apropriados de estudos de fragmentos de DNA.

 

Por ser baseada no DNA amostral, a PCR tem uma sensibilidade e reprodutibilidade significativamente maiores quando comparada a processos baseados em análises de proteínas. Ainda mais quando as matrizes alimentícias são alvos das análises.

 

Alimentos processados recebem, muitas vezes, tratamentos intensos, que podem envolver temperaturas elevadas, processos físicos e/ou químicos que podem danificar a estrutura proteica presente nessas matrizes. O DNA, por ser uma estrutura altamente resistente, ainda pode ser encontrado mesmo quando as proteínas já foram degradadas devido ao processamento.

 

A boa aplicação da técnica de PCR é uma segurança a mais para empresas que seguem as legislações nacionais e que visam o desenvolvimento seguro e com qualidade de seus produtos. Apesar de o investimento em análises de PCR ser, na maioria das vezes, mais elevado quando comparado a análises baseadas em proteínas, o custo benefício agregado é significativamente maior.

 

O limite de detecção da técnica de PCR empregado para análises de OGMs é muito baixo, o que significa que, até mesmo níveis traços são detectados. Esta segurança é determinante quando se fala em atendimento a legislações e às pesadas multas geradas em virtude do não cumprimento destas.

 

Recapitulando e considerando as formas de detecção de OGMs

É extremamente possível estar de acordo com as legislações para comercialização de transgênicos, pois existem diferentes tipos de ensaios laboratoriais que podem atender tal demanda.

 

Cada um deles apresenta vantagens e desvantagens que devem ser avaliadas em cada unidade de produção. Assim, fizemos um pequeno resumo para auxiliar nessa escolha:

 

Teste de tiras

– Pode ser realizado a campo

 

– Custo baixo

 

– Limite médio de detecção de 0,5%

 

– Detecção indireta (por proteína)

 

– Não viável para alimentos altamente processados

 

– Não permite quantificação do percentual transgênico

 

Elisa

– Não pode ser realizado a campo

 

– Custo médio

 

– Limite médio de detecção de 1%

 

– Detecção indireta (por proteína)

 

– Não viável para alimentos altamente processados

 

– Permite quantificação do percentual transgênico

 

PCR

– Não pode ser realizado a campo

 

– Custo alto

 

– Limite médio de detecção de 0,1%

 

– Detecção direta (por DNA)

 

– Viável para alimentos altamente processados

 

– Permite quantificação do percentual transgênico

 

Dessa forma mesmo com o custo um pouco maior que as demais, a Detecção de OGMs por PCR aparece em destaque dentre os métodos apresentados, pois além de poder ser realizado em alimentos altamente processados, é altamente sensível, detectando a menor presença de material modificado geneticamente, além de ainda permitir a quantificação de tal material.

 

Você vai aprender mais sobre a importância das análises de OGMs:

Qual a importância da análise de OGM?

Como garantir a qualidade do seu produto alimentício e obter vantagem competitiva.

 

Fontes: SciELO e ANBio


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